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É indescritível o prazer que sinto quando estou escrevendo...
Ficaria horas a fio.
Tão encantador o mundo das ideias, o das ideias inteligíveis.
É sublime perceber o sorriso da minha alma, como também a dimensão de suas lágrimas...
Sim, sorriu tanto quanto choro, meu maior paradoxo.
Mas sou assim mesmo,com meus avessos...posso te querer hoje, amanhã nem tanto, depois de amanhã?NUNCA mais.
Mas quando amo?sou isuportavelmente passional...
Talvez diferentemente de muitas pessoas, costumo dizer que a paixão não me cai muito bem,talvez ela não tenha sido criada pra mim, nem eu para ela...
Porém, ela teima em cruzar os meus caminhos,nos momentos em que quase esqueci da existência dela.
Ela me tira o sono, o equilíbrio, o controle...
E eu não suporto perder o controle.
Entretanto,qual a finalidade da paixão?
Ela me descontrói,me desorienta...
Você ouviu isso?Consegue perceber?
Agora posso ver a magia da paixão,ver nela a oportunidade de me reinventar, me reconstruir...
E assim eu vou me reinventando todos os dias, a cada nova palavra que é a mim dirigida, a cada olhar que é a mim lançado.
Não vou negar que está doendo,que venho tendo mais motivações para chorar que sorrir...mas não está somente em minhas mãos o poder de mudar o rumo da minha história, sou a protagonista do meu destino.
Mas o sentimento que se tem quando se está envolvida pelas teias da paixão é que assumimos o papel de coadjuvante da nossa própria história...
Com isso,ainda estou dando ao protagonista o poder da palavra final.
Fiquei boazinha?Não sei...Estou sendo submissa?Talvez...
Já falei, a paixão muda radicalmente os conceitos que outrora me guiava.
Entre lágrimas e sorrisos, hoje canta minha alma...
Deixo-a livre, para que tome suas próprias decisões...não sou sua dona...nem de você nem de ninguém...
E se outra alma um dia decidir se unir a ti, que seja para o seu bem.
Se não for, que fique vagando,tentando encontrar outra além...
E que encontre, e que seja muito feliz...
Por que não tenho outra saída...a na vida estarei sempre a chorar e a sorrir.
Quando termino de escrever, às vezes me sinto exausta,porque durante todo o tempo tenho a sensação que mantive uma longa conversa...não com alguém muito distante,mas com alguém que está incrivelmente próximo a mim, o meu EU...
Esses diálogos,não têm como objetivo,mudar algo em mim, em quem ler...em quem sente cada palavra minha...
Eu quero sair dessa concha que me sufoca...do casulo que me prendi...
Que voar como os anjos...ser livre como os pássaros...
Quero sentir a liberdade que um verdadeiro amor dispõe.
Quero inventar esse amor, um pedacinho a cada dia...construir o meu próprio conto de fadas com personagens reais.
O sofrimento não me intimida,o medo é que paralisa,mas a vontade de ser feliz nos lança pra frente.
Já tive medo,hoje não tenho mais...
Já tive desejos,hoje tenho AINDA mais...
Já fechei portas, hoje não fecho mais...
Já abri meu coração, hoje o abro AINDA mais...
Eu só quero viver,tudo aquilo que Deus já escolheu pra mim...
Eu só quero sonhar, tudo aquilo que Deus já sonhou pra mim...
Comecei escrevendo tão bem,mas a bendita da paixão tem dominado meus pensamentos.
A promessa que fica é de não dar corpo a ela da próxima vez.
Vou encerrando o meu monólogo, para as minhas lágrimas poder secar.
E deixando um conselho,que não deve ser seguido:
-Alma, alma querida! Você hoje é toda amor...
é toda coração...
é o mundo dentro de si...
é um picadeiro de emoção.
-Mas alma, alma minha!
tenha dó desse coração...
Escuta essa sua amiga,
Não aceita mais essa tal de paixão.
[Flávia Amanda]






